Numa noite, Annie sentiu no seu quarto um luz incandescente,
diferente e mais forte que nas outras tantas noites. Dirigiu-se à sua varanda,
abriu a janela e deparou-se com uma paisagem estonteante, avistava duas
palmeiras e no seu meio viu a lua, a maior e mais brilhante lua dos últimos 18
anos. Era algo inédito e fenomenal para a jovem. Aquela lua, de tal intensidade,
fez Annie fechar os olhos, ficou empoleirada na varanda mantendo os olhos fechados.
Após esta reacção, Annie reflectiu perante a lua, perante o
brilho incandescente da mesma, brilho este que lhe fez lembrar os seus olhos.
Ela era uma rapariga com um olhar doce, meigo, um olhar que falava muito mais que
as suas palavras, parecia sorrir com os olhos. Aquela noite, onde toda a zona
avistada da sua varanda era iluminada pela lua, parecia a sua cara iluminada pelo
brilho do seu olhar, pela cor indefinida dos seus olhos.
Annie fechou a janela, puxou os lençóis da cama e deitou-se,
aconchegou a cabeça na almofada e umas lágrimas se soltaram dos seus olhos, involuntariamente
estas surgiram mas, rapidamente, o sono e o cansaço falaram mais alto que estas
lágrimas que Annie não queria a preencher o seu olhar.
No dia seguinte acordou com força, garra, com um sorriso
estampado no rosto e mais uma vez com os olhos a brilhar da alegria que nela
paira de qualquer jeito.

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